28 Mar, 2009

O Declínio do Império Americano.

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O título não é meu. É de um filme canadense do final dos anos oitenta que profetizava a queda da primazia e liderança dos Estados Unidos da América do Norte.
Parece que foi refilmado, mas não vi a nova versão.
De tudo que assisti, no filme, naquela época, ficou, apenas,a lembrança do título e uma vaga recordação do desenrolar do enredo que se referia a uma tese universitária. Uma professora, doutora em em História faz a defesa de que o Império Americano estaria perto do fim. Dizia isso pela constatação simples do referencial de memória do mundo: porque todos os outros impérios conhecidos, desde a antiguidade, acabaram. O Império Americano acabaria também.
Toda a temática reunia como personagens, a Academia, e todos que circulam por lá: professores e alunos universitários, a procura da grande estrela: o Conhecimento. Personagens vivendo seus medos e segredos, taras, loucuras camufladas por uma aparente vida pessoal e intelectual exemplar.
Em tempo, esta é a visão do filme que é passado e concebido, no Canadá. É uma critica as universidades deles.
Filme profético. Os impérios caíram mesmo. Primeiro a União Soviética mantida pela mão de ferro da Rússia. Caiu o muro de Berlim, depois o Governo Comunista. Hoje, é a vez dos Estados Unidos viver um momento de ruína e, com ele, os seus países satélites, a Comunidade Européia, e as siglas, do atual sistema financeiro: o G 7, G 20 e todas as outras reuniões dos países do ocidente. Nem mesmo a Ásia e o Oriente Médio estão livres da avalanche que arrastou a ordem financeira vigente, estabelecendo um novo paradigma.
Todo mundo por água a baixo pela falência do modelo que, pasmem,
revelou-se incapaz de deter o caos.
Para mim a explicação é simples: nada resiste a corrupção.
Através dos tempos, os donos do mundo entram em decadência quando a riqueza e poder são corroídos pelos chamados maus costumes humanos.
... Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?*
Quem disse isto foi o Profeta Jeremias, lá nos anos de 586 AC, portanto há quase 2.600 anos, quando o, então, reino de Judá, (atual Israel) foi derrotado pelo Império da Babilônia, hoje as terras do atual Iraque. Basta olhar para aquele lado do mundo e ver que a política de boa vizinhança não mudou muito.
Nas ações específicas de catar os pedaços dos Estados Unidos, o presidente Barac Obama vai ao Senado americano e mais uma vez coloca dinheiro público para apagar o incêndio das empresas da iniciativa privada. Tem sido a rotina, nos seus dois meses de governo. Os Bancos, as Seguradoras, as Montadoras e o que vemos: egoísmo, corrupção, e os executivos, com os seus desmandos, botando dinheiro no bolso, vivendo vidas de reizinhos mandões **
Vejam a frase: “O investidor inteligente aprende a comprar o medo e o pânico e a vender ganância e euforia”.
Este é o ensinamento de Jim Roges, o primeiro sócio megainvestidor George Soros. Em que cartilha, meu Deus, os americanos aprenderam a tratar os investimentos da iniciativa privada, os créditos imobiliários? Pelo jeito, nada vai mudar por lá, ou no resto do mundo, enquanto esta mentalidade dirigir a Ética Humana.
Basta olhar para o episódio dos executivos da Ford que chegaram de jatinho, ao Congresso Americano, jogando gasolina pelo ladrão e exibindo arrogância, quando foram pedir dinheiro, para salvar a Ford, a mais antiga fabricante de automóveis do país, hoje, a beira da ruína.
Agora, é a hora e a vez da AIG, uma das maiores seguradoras do mundo, receber mais de U$ 170 bilhões para socorrer seus cofres vazios. O que fez a empresa? Distribui um Prêmio Incompetência, porque, não há outro nome para esta distribuição de U$ 165 milhões, a 78 executivos. Certamente, todos, com a sua parcela de responsabilidade, na construção do caos, que virou a Economia Americana. O Parlamento reage, diz que não vai mais repassar as futuras parcelas do acordo. (?)
Os jornais noticiam que outras empresas e bancos que receberam dinheiro dos cofres públicos, para superar a crise, fizeram o mesmo.
Como estará o cidadão comum do país, pessoas como eu e você? Completamente perdidos e sem vontade de pagar imposto.
Há outro fato alarmante. A China comprou títulos do tesouro americano que já está na ordem de U$ 736,6 bilhões.
A notícia do Jornal o Estado de São Paulo, de 18/03/09, ainda acrescenta
...Os recursos emprestados pelos chineses aos Estados Unidos estão nesta ordem de valores. Mas há receio da China, pela segurança econômica do país... (?) Ou seja, o ministro das finanças chinesa teme por suas ações de compra indevida dos títulos do Tesouro Americano.
Agora, dia 23/3 há uma outra notícia.
A China pede ao mundo a criação de uma moeda desvinculada dos países.
Uma moeda de referência e não mais o dólar, para transações comerciais.
Mais esta? Alguma coisa haveria de existir atrás desta transação chinesa.
Com a notícia de maiores credores externos dos Estados Unidos, lemos Também que quem mais aplicou a pena de morte, no ano de 2008 foi a China também. Por lá, a ditadura continua a mesma.
O mundo está ou não está de ponta cabeça.

Por aqui, no lado de baixo do Equador, na parte de baixo da América, estamos nós, os brasileiros, também repassando dinheiro para os bancos da iniciativa privada que, até agora, ainda não chegou aos bolsos dos correntistas. Não diminuíram os dos juros cobrados pelos seus empréstimos, cartões de créditos, cheques especiais. Nada de redução nas tarifas cobradas pelos serviços.
Estas palavras não são nossas, mas do Governo Lula, reclamando o repasse da verba, a partir da redução da taxa CELIC e outras medidas da Equipe Econômica. Nada chega ao contribuinte brasileiro.
E qual é o cenário nacional: fusões de bancos, um comprando o outro, fazendo associações, reduzindo ainda mais a oferta bancária. Ou você tem conta corrente neles, ou, neles mesmos. Não dá mais para partir para a concorrência, já que ela não existe.
Pelo que lemos no site www.terra.com.br, em 20/03/09, os bancos por aqui, vão muito bem obrigado mesmo, vejam:
Brasil tem 4 entre 20 bancos com maior lucro das Américas

O Brasil tem quatro bancos entre os 20 mais com maior lucro das Américas (exceto Canadá) em 2008, segundo um estudo da consultoria Economatica divulgado nesta sexta-feira. Segundo o levantamento, Banco do Brasil (US$ 3,767 bi), Itaú Unibanco (US$ 3,339 bi) e Bradesco (US$ 3,261 bi), estão na terceira, quarta e quinta posições, respectivamente.
Pelo critério de Rentabilidade sobre Patrimônio (ROE, da sigla em inglês), o País tem os dois bancos mais lucrativos da América Latina e Estados Unidos. Em 2008, o Banco do Brasil teve resultado 32,5% e o Bradesco de 23,6%. Eles são seguidos por American Express (EUA), com 23,6%, e Santander Chile, com 21,8%.
Na lista de lucratividade também estão Itaú Unibanco, com 21,5%, na 5ª posição, e Santander Brasil, com 5,4%, no 12º lugar, apontou o estudo.
Sem comentários: a notícia fala por si.
Quando estive em Barcelona, em 2006, vi duas grandes manifestações de rua: a primeira: mulçumanos queimando bandeiras dos países europeus e dos Estados Unidos, protesto contra o desenho do cartunista sueco que fez uma caricatura de Maomé. O Islã considerou um ato profano.
A segunda, igualmente assustadora, foi à passeata da greve dos funcionários do Santander, que havia demitido mais de 2 mil funcionários locais.
Justamente, após a divulgação do balanço, no ano em que seus lucros foram maiores. Pelo que acabamos de ler, os lucros aumentaram muito mais.
No Senado brasileiro, somos surpreendidos com a conta de milhões das horas extras de funcionários que, pasmem: são mais de cento e oitenta e tantos diretores, para atender a 81 Senadores? Diretores de que? Este dinheiro foi referente ao período de recesso do parlamentar, em janeiro e fevereiro, onde, pelos registros eles ficaram em Brasília?
O Presidente do Senado, ex-presidente da República, Jose Sarney, pediu, oficialmente, a esses diretores que renunciassem aos cargos? Será?.. Espero sinceramente, ver chegar esse dia, porque, até agora, a notícia é de que, só após a avaliação da Fundação Getúlio Vargas, será possível reduzir 50% do efetivo (?).
Estas foram as notícias de segunda-feira, 23 de março, hoje, quarta-feira, 25 de março de 2009, foi divulgado o número de 38 diretorias e muitas secretarias que fechariam cento e oitenta, mais ou menos?
Como? O Senado não tem um organograma funcional? Divulgam notas erradas deste jeito? Não sabe quantas diretorias tem?
Que país é esse? Diria o deputado Fernando Gabeira, nos idos tempos em que seu sangue era mais quente na defesa do povo brasileiro. Já faz 40 anos, a vida mudou e a nossa combatividade também.
E por falar em deputado, morreu o Clodovil Hernandes, costureiro famoso que chegou a TV e incomodou muita gente, por mais de trinta e tantos anos, com suas verdades e frases diretas. Passou a ser o arauto de nossas mazelas cotidianas, até que, candidato a Deputado Federal, foi o terceiro mais votado do Estado de São Paulo, no pleito de 2007.
Quando nós pensávamos que a sua atuação não iria além da reforma do seu gabinete - que passou de um lixo a um luxo - ele surpreende a todos, inclusive a mim, com um projeto de redução do número efetivo de cadeiras na Câmara dos Deputados Federais. Uma vez que, segundo ele, o Congresso poderia funcionar, perfeitamente, com a metade de seu atual efetivo, inclusive dos funcionários. O povo brasileiro, com certeza, não iria perder representação. Eu também acho. Temos políticos demais, municípios demais, salários demais, no poder público.
Sabemos que a proporcionalidade de deputados e senadores por Estado, está determinada pela Constituição Federal de 1988.
De vez enquanto, há alterações nos dispositivos da Constituição Federal.
Mudam artigos, parágrafos. Como é a lei maior, não se altera a Constituição assim à toa, é preciso uma grande causa para reunir todo o Congresso. A alteração tem de contar com maioria absoluta de votos.
Acho muito difícil que os partidos políticos queiram, eles mesmos, encolher, trabalhar mais, representar um número maior de brasileiros, com um número menor de parlamentares.
O projeto foi encarado como uma grande piada nacional. Uma pena.
Mas a boa notícia é que o presidente do Senado, José Sarney, mandou
mensagem para o presidente Lula, para buscar uma solução e acabar com as Medidas Provisórias que, trancam as pautas do Congresso e impedem o Brasil de ser, de fato, um país de plenos Direitos Democráticos. Já estava na hora de acabar com este poder excessivo do Presidente da República.
A Medida não foi gerada em seu governo, é verdade, mas os números provam que o atual presidente usa o instrumento, bem mais que o seu antecessor.
Mas vamos em frente porque não é hora de brasileiro algum desistir de lutar. O Brasil ainda está de pé e prevê crescimento econômico para 2009.
Notas:
*Jeremias, cap.17, v. 9 - Bíblia.
** Título do livro infantil de Ruth Rocha.

Posted by Isis Valéria at 6:35 PM |  4 comments  

18 Dec, 2008

2008 – O Ano em que o mundo mudou.

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Quando todos nós pensávamos que este ano estava reservado as memórias e comemorações de 1968, o "Ano que não terminou," como diz o título do livro do jornalista Zuenir Ventura, a história do mundo tomou outro rumo e o capitalismo virtual, despencou.
Lembramos à derrocada soviética, quando da queda do Comunismo, em Moscou, e descobrimos que tudo que é "sólido desmancha no ar". Imaginem só o que aconteceu com o que nem sólido era.
2008 foi o palco da recessão. Nada a ver com o Capitalismo segundo Calvino, e/ou outros pensadores que pregaram as maravilhas do trabalho produtivo, ainda que com uns pequenos juros para remunerar o capital, garantir o lucro para ser reaplicado, de forma produtiva, para promover a riqueza de todos.
Esses são os ideais da Constituição Americana, que, em setembro, mais um setembro, dos setembros negros para os Estados Unidos. O país perdeu a credibilidade. Seus cidadãos não confiam mais na sua pátria. O mundo também não confia mais no modelo administrativo e financeiros que fez da America do Norte, uma grande nação. Hoje, tudo está muito diferente dos princípios de George Wahisgton e dos homens americanos de sua época.
Já fazia um tempinho que o dinheiro passou a ter asas, a voar sozinho e a promover a especulação financeira, enriquecendo uns poucos, empobrecendo muitos. É claro que uma história desta não podia dar certo.
Os americanos e os europeus já sabiam disso e, pelo jeito, não aprenderam nada com a lição de 1929 que, também, promoveu a derrocada dos alicerces das Bolsas, no mundo. Como o mundo não aprende as suas lições, outra vez, estamos todos vivendo os resultados desastrosos de homens irresponsáveis, gananciosos, desonestos e mentirosos. Poucos, prejudicando pessoas como eu ou você.
E nós que ficamos felizes com o enfraquecimento das Farc, a libertação de Ingrid Betancourt, depois de cinco anos de cativeiro, na selva, e a descoberta das áreas do pré-sal, nas costas de Santos, o Brasil com um crescimento do PIB.
Mais empregos para os brasileiros, inflação controlada e já estávamos chegando mais perto de realizar o grande anseio nacional de ter uma economia equilibrada, saímos destas notícias para cair no caos do mundo.
O ano foi tão bom que até o Elomar apareceu em São Paulo, com o show Sertanilias para lançar o seu Romance de Cavalaria com o mesmo nome.
Fiquei tão feliz em poder ouvi-lo. A vida seguia mansa para muita gente. E de repente, o cenário muda. Acordamos para uma outra realidade mundial.
A campanha para as eleições presidenciais nos Estados Unidos. Hilari Clinton, a senadora democrata, esposa de ex-presidente, foi surpreendida pela força do senador Barac Obama ao disputar, com ele, a candidatura a presidência pelo partido Democrata. E o mundo mudou. E a América ouviu a voz profética de Mater Luter King, em seu discurso historico e o elegeu presidente dos Estados Unidos.
Leia alguns trechos.

Eu Tenho Um Sonho
Martin Luther King, Jr.
28 de agosto de 1963 Washington, D.C.

" ... Digo-lhes hoje, meus amigos, embora nos defrontemos com as dificuldades de hoje e de amanhã, que eu ainda tenho um sonho. E um sonho profundamente enraizado no sonho norte americano.

Eu tenho um sonho de que um dia, esta nação se erguerá e viverá o verdadeiro significado de seus princípios: "Achamos que estas verdades são evidentes por elas mesmas, que todos os homens são criados iguais".

e mais adiante...

...Eu tenho um sonho de que meus quatro filhinhos, um dia, viverão numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele e sim pelo conteúdo de seu caráter.

Quando deixarmos soar a liberdade, quando a deixarmos soar em cada povoação e em cada lugarejo, em cada estado e em cada cidade, poderemos acelerar o advento daquele dia em que todos os filhos de Deus, homens negros e homens brancos, judeus e cristãos, protestantes e católicos, poderão dar-se as mãos e cantar com as palavras do antigo spiritual negro: " Livres, enfim. Livres, enfim. Agradecemos a Deus, todo poderoso, somos livres, enfim.

Estava com 20 anos quando Dr. King pronunciou estas palavras. Lembro-me muito bem. Era jovem, estudava direito e sabia a respeito da questão dos negros americanos.
Tinha uma forte intuição de que, um dia, estas questões teriam um encaminhamento diferente. Afinal, era os anos sessenta, com a mensagem de Paz e Amor.
O que eu não sabia é que, apenas 45 anos depois das palavras do Dr. King, Barac Obama receberia para governar, um país em frangalhos, devastado pela crise financeira e pelas ações bélicas em territórios allheios. Não sabia que ele teria a tarefa de trabalhar para o "conserto do mundo" . Seus ombros magros, de homem de delicada compleição, terão de suportar tamanho fardo, tal é o de reunir os pedaços da América e dar novos rumos ao pensamento da economia ocidental.
No Brasil, nós vamos sobrevivendo com poucos percalços, graças as competentes medidas da Equipe Econômica do Banco Central, que vai trabalhando como pode, e aprendendo no processo porque não há modelos a copiar. Mas crises? Crises já vivemos nós, os brasileiros, nos processos da hiperinflação. Sete Planos Econômicos e a jóia do governo de Fernando Collor de Melo quando, de repente, o dinheiro mudou e nós todos acordamos com R$ 50,00 cruzados novos na conta bancária. Eu tinha um valor capaz de comprar um carro zero. Quando, anos depois, consegui levantar o dinheiro, só poderia comprar com ele um par de pneus. Vivências brasileiras, das quais não temos muitas memórias porque, neste país cultivamos o hábito de esquecer as mazelas e seguir em frente.
É o cenário com que terminamos o ano, preparados para o que der e vier, em 2009.
Desejo, de todo coração, que ele seja um ano de prosperidade para todos nós, apesar das previsões negativas. Afinal de contas, somos brasileiros e a nossa profissão é a esperança, como bem definiu o poeta.

O mundo mudou, mas nós continuamos a seguir em frente...

Posted by Isis Valéria at 5:17 PM |   

28 Aug, 2008

BRASIL - O PAÍS DAS LEIS QUE NÃO PEGAM, DAS MEDIDAS PROVISÓRIAS, E DA IMPROVISAÇÃO

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A aula de Filosofia nas escolas brasileiras...

Quando eu era pequena, ouvia muito uma frase que desapareceu do
vocabulário nacional: - Quem não tem competência, não se estabelece.
Era um jargão para lembrar que, sem conhecimento de causa, não adiantava,
por exemplo, abrir um escritório de contabilidade. Se você não
fosse um contador profissional, conhecedor do seu ofício, não teria clientes; faltava-lhe competência para oferecer os seus serviços.
O exemplo serve para tudo, inclusive, estabelecimentos de ensino, como são chamadas às escolas.
A Educação precisa ser um negócio de profissionais porque nela são definidos os destinos de uma nação. Há países que sabem disso muito bem, Japão, Coréia, China, em um dado momento, passaram a levar a escola a sério. Os resultados apareceram em 15 e 20 anos. Há outros países, como o nosso Brasil, que teimam em improvisar na hora de oferecer Conhecimento.
As estatísticas estão aí, para fundamentar o argumento.
Dados do IDEB – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica do Ministério da Educação – informam que o desempenho escolar está pior do que o alcançado em 1995, muito embora tenham melhorado em 2007, em relação a 2005, especialmente, no Ensino Fundamental.
Parece brincadeira, mas o Brasil andou para traz, em termos de desempenho escolar.
Os resultados do Saresp (Exame de Avaliação do Governo de S.Paulo) são igualmente alarmantes: 80% dos alunos do Estado de São Paulo, não sabem Matemática, ou seja,
não assimilaram o conteúdo designado para o curso.
Somos um país de jovens que não sabem ler, escrever e contar, adequadamente.
Os mesmos dados do Saresp apontam que 71% dos alunos que terminaram o Ensino Médio não têm o conhecimento básico da área. Eles têm dificuldades para realizar operações de soma, subtração, multiplicação e divisão, além de não conseguirem mensurar grandezas e medidas.
É o dado oficial do Estado mais rico e aparelhado da Federação.
E por que isso acontece? Claro, por causa do improviso, da falta de seriedade na adoção de medidas provisórias, e não falo daquelas que os nossos Presidentes da República assinam, quase que diariamente, para governar por exceção, já faz um bom tempo. A referência é as medidas provisórias mesmo, aquelas de tapar o sol com a peneira, de fingir que se ensina, enquanto o aluno finge que aprende.
Vejamos outra pérola das estatísticas: os dados são oficiais, o que nos garante que o MEC tem pleno conhecimento do que se passa em suas escolas:
23% dos professores de Matemática do Ensino Médio no país, não têm curso superior.
Eles completaram, apenas, o Ensino Médio – o mesmo nível de escolaridade para o qual dão aula. Sabe-se lá o que aprenderam. Pelos resultados, nenhuma maravilha.
Há dados piores ainda, quando tomamos conhecimento que outros 21% , aproximadamente, são graduados em outras áreas que são próximas da matemática como: Processamento de Dados e Ciências Contábeis, Mas há também, as áreas distantes, como Letras.
Bem, é mais ou menos assim: você é advogado e exerce o oficio de médico.
Mas aonde chegar com tudo isto: Como esperar resultados positivos com esta qualidade de corpo docente? É claro que todos estes professores formados em áreas afins estão em sala de aula, fazendo o que podem. Mas isso não basta. Há que saber fazer, há que se fazer bem feito, isto porque, a criança e o jovem brasileiro merecem respeito. Não é possível formar incapazes, pessoas mutiladas no seu direito a Educação.
Hoje, somos um povo humilhado pelas estatísticas internacionais:
Os problemas do ensino da Matemática aparecem em estudantes de todos os níveis e regiões. É claro, acabamos de falar do sul maravilha de onde se espera muito mais.
Na última avaliação internacional do PISA (um programa espanhol que avalia estudantes em 60 países, no mundo, e cujos resultados foram divulgados no ano passado), os estudantes brasileiros tiveram um dos piores desempenhos da disciplina matemática, ficando a frente, apenas, da Tunísia, Catar e Cazaquistão, países que não primam pela riqueza, ou modelo de Educação e não aparecem nos noticiários internacionais de TV. Tunísia é na África, os outros dois, no Oriente Médio.
Comentamos, somente, os resultados de Matemática. Todos podem imaginar o que Acontece com os números sobre a Física e a Química.
“Os dados fazem parte de um relatório elaborado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) que desde o fim de 2007 assumiu também a responsabilidade pela formação de professores para Educação básica”. O diagnóstico servirá de base para a elaboração das metas do ministro da Educação, Fernando Haddad. O objetivo é formular medidas emergenciais, isto mesmo, emergencial, (os dados existem desde 1995) para suprir essas necessidades, com foco também, nas áreas de Física e Química, assim como criar um sistema de graduação que atraiam “os jovens para a docência”.*
E por que este artigo. Porque outra catástrofe igual a da Matemática começa a se configurar no cenário nacional do panorama educacional do Brasil.A obrigatoriedade do Ensino da Filosofia foi instituída em junho de 2008, depois de um debate que durou duas décadas.
O MEC fez um estudo para avaliar a dificuldade que as escolas terão para se adaptar a nova legislação. Além da falta de docentes dessa área, há, ainda, material didático insuficiente e poucos estudos sobre um currículo atual de Sociologia e Filosofia.
Hoje, o País tem 20.339 professores de Sociologia atuando nas escolas, no entanto, só 12,3% deles ( 2.499) são licenciados na área. O restante graduou-se em áreas como História, Geografia, Português. Em Filosofia, o número atual é de 31.118 sendo 23%(7.162) com a licenciatura específica. Isso por que há estimativas de que 17 Estados já tenham aulas dessas disciplinas em, pelo menos, um ano do Ensino Médio. Segundo o MEC, a demanda é de 107.680 professores. É possível uma asneira dessa? Até quando vamos colocar o carro adiante dos bois?
Segundo consta, há falta de professores em várias matérias, mas o MEC informa que o currículo não podia mais ficar, vejam as palavras: empobrecidos, sem Sociologia e Filosofia, diz o presidente da Câmara da Educação Básica do Conselho Nacional de Educação ( CNE) César Callegari ? Façam o favor, senhores, mais uma piada, mais um engodo para cima do povo brasileiro? Mais uma vez a historinha de fingir que se ensina, e fingir que se aprende? Outra vez a anedota dos panos de fundo para inglês ver? Um currículo de mentirinha só para brincar? Ou será que os intelectuais brasileiros preferem alimentar esta balela?
O levantamento também informa que a falta de professores para lecionar as duas matérias não vai ser resolvia tão cedo. A quantidade de graduados nas duas áreas, nos últimos cinco anos, independentemente da opção por dar aula, ou não, está longe de cobrir o déficit. Foram “cerca de 14 mil, em Filosofia e 16 mil em Sociologia –” Não haverá professor suficiente, nem para ter apenas um por escola” Diz Dilvo Ristoff, autor do estudo.
A lei exige que Sociologia e Filosofia integrem o currículo dos três anos do Ensino Médio. Tudo bem, eu também acho que são matérias importantíssimas, que tive a felicidade de estudar, mas COM QUE PROFESSORES VAMOS CUMPRIR ESTA UTOPIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA?
Para todos os que se formaram antes de 1971 havia a matéria em sala de aula.
Mas foi banida em 1971, pelo regime militar.
Por falta de demanda, não houve mais formação de corpo docente. Um absurdo, claro que foi, mas, desde que se pensou em voltar a implantar a matéria no currículo, era
necessário investir antes, na formação de professores.
Foi diante ausência de mestres que o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, vetou uma lei semelhante, quando era presidente, alegando, justamente, a falta de professores.
Pois é, além de estudar Filosofia, eu também aprendi Matemática, sei ler, escrever e contar e é por isso que prefiro acreditar nos números no que no blá, blá, blá da vã filosofia dos adeptos dos sofismas.
ACORDEM, governantes brasileiros, respeitem a inteligência e os direitos de seus cidadãos. Chega de fantasias e de leis inaplicáveis em curto prazo.
É preciso lembrar que a Ética é a ciência da Moral.

*Portal do MEC.
Agência Estado.

Posted by Isis Valéria at 5:17 PM |   

26 Jun, 2008

INADIMPLÊNCIA: a divida do brasileiro e o juro bancário.

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Faz um tempinho que li no jornal Estado de São Paulo
a seguinte manchete: Dívida já custa 9 meses de trabalho.
Segundo a mesma matéria (13/4/08), há três anos este número era bem menor. O endividamento pessoal de um cidadão não comprometia mais do que seis meses de trabalho. Ou seja, dava para pagar as contas, guardar um dinheirinho, tirar umas férias. Hoje, estamos por volta de 85% de endividamento. Aonde isto vai parar?
Com certeza, em uma dívida ainda maior.
A escravidão surgiu em função da dívida. Quem devia, acabava um escravo na mão do seu credor. Um derrotado, na guerra, era escravizado. Sua vida passava a ser propriedade do vencedor.
É uma história com mais de dois mil anos porque, na época de Jesus, ele já ensinou o seu povo a orar assim: perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. E não nos deixe cair em tentação.
Portanto a dívida já preocupava o Messias.
Somos todos escravos das contas fixas, variáveis e também há quem caia em tentação de pegar empréstimos, felizmente, não é o meu caso.
Mas há um fato interessante que aconteceu comigo que quero contar.
Noutro dia, ao chegar à caixa do banco aonde tenho uma conta, a funcionária, sorridente, fez essa pergunta:
Dna. Isis a senhora está precisando de dinheiro? Veja, está aqui disponível, um empréstimo para crédito imediato, pré-aprovado no valor de vinte mil reais.
Respondi que não precisava e agradeci. Mas ao passar no caixa eletrônico, por pura curiosidade, quis saber a taxa de juros do empréstimo que me foi oferecido. Pasmem, era de 8,9% ao mês, ou seja, 89% em dez meses.
Você pega emprestado R$ 20.000,00 e paga R$ 37.800,00 ? ou 106,8% ao ano, se você tiver um prazo de 12 meses para quitar sua dívida.
Não há assalariado que consiga pagar, normalmente, um empréstimo assim. Resultado, quem cai neste conto do vigário, por necessidade, ou por futilidade, faz uma outra dívida, para pagar a dívida. E passa a dever mais, em um outro Banco, ou seja, dentro do próprio sistema. A bola de neve transforma-se em uma avalanche capaz de aniquilar famílias inteiras e até os pensionistas e os aposentados da terceira idade: pessoas de bem, enganadas pelo sistema financeiro do Brasil, um dos mais cruéis do mundo.
Foi assim que o economista Humberto Vieira, de Brasília, escreveu para apresentar os resultados da pesquisa que realizou sobre o assunto:
...Uma parte dos endividados assumiu novas dívidas para quitar outras já existentes. Outra parte dos endividados liquidou suas pendências e outros consumidores ingressaram em seu lugar...
Antes, poderíamos dizer que quem gasta mais do que recebe, merece esse triste fim. Mas agora, há um novo fator, aquela velha conhecida, com quem convivemos anos a fio: a Inflação que corroeu o sistema econômico e financeiro do Brasil e de alguns países do mundo.
Chegamos ao percentual de mais de 80% ao mês e inventou-se a chamada correção monetária. Depois fomos obrigados a conviver com seis planos econômicos, moedas trocadas, cruzeiro, cruzeiro velho, cruzeiro novo, cruzado, cruzado novo, índices, tabelas de deflação e, finalmente, o Real.
O Real que hoje já não está conseguindo pagar o carrinho cheio, no supermercado, com o que há de mais básico e necessário para a alimentação do brasileiro: feijão, arroz, leite, carne, legumes e verduras, e pão nosso de cada dia, além de outros itens que já acumulam mais de 30% de aumento em quatro meses.
Alguns itens, subiram até 100% em um ano.
O Banco Central andou tomando providências e elas se traduzem sempre no aumento da taxa Selic.
Há, ainda, um fato novo: os Deputados aprovaram mais um encargo: o novo imposto sobre a movimentação bancária (do cheque), a CPMF de volta, recém batizada, com a cara nova, para disfarçar o desrespeito a decisão do Senado Federal que acabou com ela, o ano passado.
Enquanto isto, o Governo Federal que nunca arrecadou tanto em impostos, continua a gastar mal e muito mais do que deve, jogando o nosso esforço e suor, pela janela. O esforço e o suor de todos nós trabalhadores que sustentamos este país.

Isis Valéria

Posted by Isis Valéria at 7:28 PM |   

19 May, 2008

CPMF: a volta de um mal desnecessário?

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Será que o Brasil é mesmo um Estado de Direito?
Uma democracia onde os Três Poderes, pilares da nação brasileira exercem plenamente o seu direito de participar das decisões do país?
Ainda muito pequenos, lá por volta dos oito ou nove anos de idade, aprendemos nos livros didáticos que: O poder emana do povo, para o povo e em seu nome será exercido e quem faz isto? O Legislativo, o Executivo e o Judiciário.
Mas já faz um tempinho que há um clima de desrespeito as decisões do Legislativo e do Judiciário.
Claro que as coisas não são assim, diretas, mas sempre há um método para burlar o estabelecido e tentar fazer o que quer, chama-se: jeitinho brasileiro.
Vou ser mais direta, desde a invenção da Medida Provisória, que a nossa democracia conta com este instrumento de ação executiva aonde os nossos presidentes, e falo de todos, podem usar desta prática para ter liberdade de ação em suas decisões. A fala sempre foi esta.
Amo a democracia, e mesmo que, na prática, ela não exista completamente, ainda é o regime democrático a melhor forma de viver, na sociedade, no trabalho e na família.
Todos nós, brasileiros, nos lembramos muito bem da CPMF que ficou por aí por muitos anos, pingando como Débito, na sua conta bancária, em nome de uma taxa, para socorrer o Ministério da Saúde e a saúde do brasileiro continuou a mesma e a tal verbinha da CPMF foi sendo aumentada, aumentada e espalhada, ganhando outras destinações orçamentárias até que, no apagar das luzes do ano de 2007, todos nós acompanhamos a luta do Congresso Nacional, mais precisamente, do Senado para acabar com a cobrança que se eternizava no bolso dos brasileiros, todos, porque, inclusive, sobre o seu salário, ela estava lá, retida em uma fonte privilegiada: o banco. Foi uma seção de gloria, nos escritórios o povo acompanhando a seção do Senado e por fim a votação que acabou com este um verdadeiro bicho de sete cabeças a morder o nosso bolso, e não importa em quanto. A verdade é que a arrecadação nunca foi destinada à sua devida e anunciada finalidade.
O resultado, orçamento do Governo Federal atrasado, as aves de mau agouro anunciando o caos.
Enfim, a grande surpresa: a CPMF, a maldita Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira, não fez Falta alguma. À saúde, porque para ela era uma verba que nunca chegava lá. Também não fez falta ao Governo Federal por que nunca arrecadou tanto, como nos primeiros cinco meses do ano de 2008. Um fato Histórico.
O que uma brasileira, como eu poderia esperar deste Resultado. Tranqüilidade no bolso, em relação a este Dinheirinho, cobrado ali, na boquinha do caixa do banco.
Não fez falta, bom para todos. Para nós, cidadãos que Pagamos impostos e para o Governo, que, pelo que anda anunciando não está sem dinheiro no cofre.
Um pensamento lógico, não é mesmo.

Mas, como dizia o Barão de Itararé* - De onde menos Se espera não sai nada mesmo...
Todos nós fomos surpreendidos com a reinvenção da roda, Ou seja, o presidente da República anunciou o desejo de ressuscitar a defunta CPMF do passado, criando novo corpo: uma nova taxa de 0,08% pasme, mais uma vez para destiná-la ao Ministério da Saúde.
Aonde o respeito à decisão do Congresso Nacional quanto a extinção da CPMF, em 2007? Será que o voto do meu senador foi só de mentirinha, Para brincar democracia como falamos como para as crianças pequenas?
Presidente da República não é o pai da pátria e não dá Para achar que vai arrumar a casa com os nossos jeitinhos brasileiros .Será vão fazer de novo?
Eu, pelo menos, não sou criança e acho que como Cidadã devo merecer respeito às decisões do Legislativo e do Judiciário.


*Barão de Itararé: famoso humorista do Século passado que foi muito bem lembrado, pelo Marcelo Paiva Abreu, em sua coluna Opinião no Jornal Estado de São Paulo.

Posted by Isis Valéria at 8:55 PM |   

26 Apr, 2008

A CPI das Ongs e a Sociedade Civil

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Faz 10 dias que o jornal Estado de São Paulo noticiou, na primeira página, a manchete: CPI investiga mais de 100 autoridades ligadas a ONGS. Senadores suspeitam de entidades com acesso privilegiado ao dinheiro público.
Convenhamos, é uma notícia assustadora. Eu fiquei muito triste, pensando cá com os meus botões, em quem mais, nós brasileiros, podemos confiar?
Sou uma pessoa que defende o trabalho voluntário e a participação da sociedade civil em ações diretas de intervenção e auxílio na defesa de valores éticos e esforço de todos, em busca de um bem estar comum.
E o que seria isso. É muito simples: direito a casa, comida, saúde, segurança, educação através do acesso permanente ao conhecimento, e a informação, um trabalho digno, remunerado, além do natural direito e ir e vir, que se traduz por liberdade de ser, viver e se expressar e, certamente, divertir-se, expressar-se culturalmente, brincar, dançar e bater uma bola, nos fins de semana.
Não é pedir muito, são coisas básicas. É o mínimo que um país deve proporcionar aos seus cidadãos. Está lá nos Direitos Humanos da ONU.
Já coloquei aqui, no blog, as metas para os próximos 15 anos. Só pelo que foi definido como prioridade, podemos perceber que falta muito para o planeta ser harmônico do ponto de vista global.
Lembro-me bem de quando começaram a surgir as ONGS como uma esperança da ação civil, em defesa daqueles que nunca tiveram voz.
Cada uma delas, com o seu ideal, a sua ação, missão e valores. Um dos últimos recuros reguladores da dignidade humana depois da Segunda Guerra Mudial. Parecia que o mundo ia ser salvo por este exercito de Brancaleone*, pessoas que, juntando-se a outras, saiam por aí oferecendo a sua contribuição as causas difíceis, algumas, aparentemente, perdidas.
Eu vi a Handicap em atividade, fornecendo próteses para pessoas amputadas, que perderam parte de seus corpos nas guerras inúteis, vítimas de minas antipessoais.
No Brasil, a Pastoral da Criança, para falar só de uma delas, empenhada em buscar um modo de vida melhor para meninos e meninas desamparados.Também vi e participei da reunião de Daniel Fresnot fez em sua casa, reunindo amigos para montar a Moradia- Associação Civil porque precisava fazer alguma coisa para tirar os menores abandonados das ruas de S.Paulo. Moradia nasceu ali e já está com onze anos. Cresceu e multiplicou-se e oferece abrigo noturno para aqueles que não tem um lugar para dormir; os menores de idade, largados no mundo.
Agora abro o jornal e vejo que a pilantropia tomou conta do mais nobre sentimento humano que é o da solidariedade e o trabalho pelo bem comum.

O autor da CPI é o Deputado Raimundo Colombo do (DEM-SC), que eu não conheço, de quem só vi uma foto e não ouvi discurso algum, mas a reportagem do Estado dá nomes e sinaliza para o escândalo que inclui a Assocene – Assossiação de Orientação Às Cooperativas do Nordeste, uma ONG com mais de 30 anos portanto, consolidada.
Cita o nome de Humberto Oliveira, que está à frente da Secretaria de Desenvolvimento Territorial do Governo Federal. Tomamos conhecimento que a Assocene já recebeu R$ 3.700.milhões para projetos SIAFI, órgão Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal.
Isto, em apenas dois, após o seu ex-presidente, Humberto Oliveira ter assumido a pasta.
Os projetos são bons? Pode até ser, mas, no momento, não vem ao caso, porque, de qualquer forma, pode ser até legal, mas não é ético.
Como nós sabemos, a Ética é a ciência da Moral ... e porque as maiores verbas são distribuídas para estas centenas de pessoas que, no dizer da jornalista, “pessoas que trabalham no governo e são ou foram notórios dirigentes de organizações não-governamentais”.
Esta é uma, mas são mais de 100?
Há limites para o repasse do dinheiro público e maior limite ainda para
ações que espelham privilégios e favorecimento políticos partidários.


*Exercito de Brancaleone
Famoso filme italiano que retrata um guerreiro medieval, quixotesco e combatente de causas perdidas.

Posted by Isis Valéria at 12:59 PM |   

09 Apr, 2008

Reforma ortográfica - Parte II - uma reflexão

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A foto acima é um flagrante de minha visita a Moçambique. Na ocasião, participei da reformulação dos livros didáticos daquele país após o acordo de paz que pôs fim a guerra civil que durou de 1975 a 1994.

Observem a data desta carta que enviei para a Câmara Brasileira do Livro - CBL. Foi em 2004 mesmo. Hoje temos certeza de que ela não serviu para nada. Não obtivemos resultado algum do ponto de vista dos Editores.
Nós, em função de propostas políticas, nós, os brasileiros, decretamos, que, todos os livros impressos, nossa terra, conterão erros de ortografia e que, portanto, precisarão ser corrigidos e novamente impressos.
Esse é o preço a pagar pela assinatura do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, no ato presidente Luis Inácio Lula da Silva.
Quanto isto vai nos custar? Ora, ninguém fez a conta.
Um absurdo de abuso de poder. Mas sabemos muito bem quem irá pagará essa conta. Claro, somos nós, com impostos que poderiam ser aplicados em assuntos mais urgentes e de maior interesse para todos os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
Leiam, verifiquem os dados, as populações, os índices da Educação nos países da CPLP. Tirem conclusões.
No final da carta há um comentário: o meu pensamento á respeito, já em 2004. O tempo provou que nem mesmo o povo português, que poderia ter algum benefício explícito com essa mudança ortográfica, aceitou pacificamente, o acordo, até agora, abril de 2008.
Mesmo porque, colonizados somos nós, daí que eles não acharam necessário adaptar-se a nova língua portuguesa, que acabamos de inventar.
Mesmo tendo tudo a ganhar, os portugueses perceberam o quando vão perder ao jogar fora o seu acervo nacional de livros que ficarão igualmente errados, na ortografia.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil fez um pronunciamento informando que seus funcionários precisam redigir duas versões de uma carta ou de qualquer contrato, ou pronunciamento, para enviar oficialmente a Portugal. Também há comentários de que seriamos uma língua muito mais forte, na ONU. Mas para organizar o vocabulário ortográfico da língua portuguesa, bastaria que alguns termos constassem, com duas grafias, nos dicionários oficiais da língua, nos países. Essa solução inteligente partiu de um escritor português. Nada mais simples. Mas optamos pelo mais difícil e desnecessário. Jogar tudo no lixo e fazer de novo.

Imprimir tudo, outra vez, gastar papel, tinta e energia inutilmente.
Acredito que as organizações que lutam pela preservação do meio ambiente não compreenderam, muito bem, o que está acontecendo e o tamanho do dano que vamos causar a muita gente e inclusive, ao planeta.


Para: Presidência da Câmara Brasileira do Livro.
De: Isis Valéria Gomes.
Data: 10/08/2004.

Prezado presidente:

Ref. Projeto para o Acordo Ortográfico da Lingua Portuguesa.
Alguns números sobre os países da CPLP.

Para complementar o nosso comentário anterior de 2/8/2004, pesquisamos alguns dados sobre os países de lingua portuguesa.

Países da África:

Costas do oceano Atlântico.

Em ordem Alfabética:

Angola:
População: 11.185.000 (milhões de habitantes) censo 1996.
Ind. Alfabetização: 42% (indivíduos alfabetizados)
Homens 56% Mulheres: 29%.
Ind. Primário: 95%.
Ind. Universitário: 1%.
Comunicação: TV, 51 – Rádio, 34 - Jornais diários: 11.
PIB: Agricultura 74.5% - O país tem petróleo e diamantes.


Cabo Verde: Várias ilhas – três principais.

População: 396 mil habitantes (censo 1996) Hoje, cerca de 450 mil pessoas.

Ind. Alfabetização: 72% - Homens 81% - Mulheres 64%.
Ind. Primário: não há dados.
Ind. Universitário: Não há, mas sabe-se que são as pessoas de maior índice de educação da CPLP.
Comunicação: TV? Rádios 179 – jornais?
PIB. Agricultura 30% - ind. 29% serviços 39%.


Guiné – Bissau

População: 1.09l.000 (milhão de habitantes)
Ind. Alfabetização: 52% - Homens 68% Mulheres 43%
Ind. Ed. Secundária: 42%
Ind. Universitária: ?
PIB 85% Agricultura – Ajuda Externa de países doadores.
O país não tem recursos próprios gerados para suas necessidades.

São Tomé e Príncipe: Ilhas: duas são as principais.

População: 135 mil habitantes, em 1996 (Hoje aproximadamente 200 mil).
Ind. Alfabetização: 57% - 73% Homens e 42% Mulheres.
Ind. Universitários:?
Comunicação: TV? – Rádios 271 – jornais?
PIB - Ajuda externa dos países doadores.
OBS: desde a sua independência, em 1975, o país tem o mesmo presidente (ditador).


Costa do oceano Índico.

Moçambique:
População: 17.796 (milhões de habitantes) em 2000.

Ind. de Alfabetização: 40% - 58% Homens e 29% Mulheres.
Ind. Primária: 65% - 75% Homens e 47% Mulheres.
Ind. Universitário: 1% -
Ind. Editoras: uma Editora Estatal e três locais (portuguesas duas).
Comunicação: TV 3 – Rádios 38, jornais diários oito
PIB: Agricultura 82% - indústria 8% serviços 9%.
Religião: 60% muçulmanos – 28% católicos e demais hindus e religiões
tradicionais africanas.

Costas do oceano Pacífico.

Timor Leste: o território é a metade de uma ilha na Indonésia.

População: 829 mil habitantes em 1996 – + ou - 1 milhão em 2001.
Ind. Alfabetização: não há dados oficiais.
Lingua oficial do país: Tetum.
Segunda lingua: português.
Em 2001 a ONU começou a organizar os índices do país.
PIB:? – Há algumas informações de que o país tem jazidas de petróleo.

Macau – é uma província da China.
Protetorado português, foi devolvido a China em 2000.
População: não encontramos índices, atualizados, disponíveis.
Estimativa cerca de 300 mil pessoas, falantes.
Lingua oficial: Chinês.
Segunda lingua: português.
População: não encontramos índices, atualizados, disponíveis.
Estimativa cerca de 350 pessoas, falantes.

Europa:

Portugal: há as ilhas da Madeira e dos Açores.
População: 9.808 milhões de habitantes – censo de 1996 – em 2002 não chegam a 10 milhões.

Ind. Alfabetização: 90% - 92% homens 87% mulheres
Ind. Primário e secundário: 97% 63% homens e 74% mulheres.
Ind. Universitário: 34% -
Ind. Professores: 1 docente para cada 12 alunos.
Ind. Editorial: 68 títulos para da 1 milhão de habitantes.
Comunicação: TV 333 – Rádios 245 – jornais diários 41.

Brasil:
População: 170 milhões de habitantes – censo de 2000.
Ind. Alfabetização 85% - 83% homens e 83% mulheres.
Ind. Primária: 97%
Ind. Universitária 11%.
1 docente para cada 23 estudantes.

Ind. Editorial: 14 títulos para cada 1 milhão de habitantes.
Comunicação: TV 278 rádios 399 jornais diários 44 – (índices de 1999).
PIB – Agricultura 23% Ind. 23% Serv. 53%.


Para uma reflexão sobre os índices da nossa América,
separamos algumas informações que nos ajudam a refletir sobre o tema.

Países do Cone Sul.

Argentina
População: 35 milhões de habitantes – censo de 2000.
Ind. Editorial: 24 títulos para cada um milhão de habitantes.
Ind. Universitários 38% .

Chile
População: 17 milhões de habitantes.
Ind. Editorial: 13 títulos para cada 1 milhão de habitantes.
Ind. Universitários: 57%.

América do Norte.
Estados Unidos:
População: cerca de 250 milhões de habitantes.
Ind. Universitário: 45%
Índice Editorial: 24 títulos para cada 1 milhão de habitantes.
O índice é igual ao da Argentina.

Acredito que estes dados formam um pequeno panorama do quanto o
Acordo Ortográfico da Lingua Portuguesa prejudicará a Indústria Editorial
Brasileira que é estruturada e forte. Vamos ter de reformular todo o acervo.
O Brasil não ganhará mercado algum, isto porque, Portugal tem uma grande
produção de títulos de tiragens pequenas, e sobra pouco espaço para nós.
Vejam os índices:
Portugal:
68 títulos para cada milhão de habitantes.
Brasil:
14 títulos para cada 1 milhão de habitantes.

Fica bem claro que somente Portugal vai expandir o seu mercado editorial porque incluirá o Brasil como um mercado s/ a diferença ortográfica da língua, que hoje existe, já que todo o pequeníssimo mercado dos países da CPLP tem sua ortografia igual à de Portugal. Todos eram colônias até 1974.
Só o Brasil têm um português moderno e diferente.

Existe muito espaço, no Brasil, para alcançarmos um índice melhor,
de ofertas de títulos, semelhante ao da Argentina ou Estados Unidos.
Formar leitores, produzir mais títulos de autores nacionais.
Portugal supera todos os números da América desde o Norte ao Sul.
Não significa que títulos portugueses são adequados ao nosso mercado, mas eles existem à disposição para conquistar o espaço, haja vista a insistência em voltar ao assunto da correção ortográfica: sempre que possível, a mesma história volta à baila.

Ninguém pensa na questão econômica. Só se fala na questão política.
Ninguém faz as contas de quanto isto vai custar ao Editor brasileiro da iniciativa privada ou mesmo às editoras públicas.
Creio que este comentário deve ser tratado discretamente, mas precisamos
formar uma comissão de editores, conversar sobre o assunto e ficarmos atentos antes de sermos surpreendidos com um fato consumado.

Muito obrigada pela atenção, estou a seu dispor para qualquer outra informação.

Atenciosamente,
Isis Valéria Gommes.

Posted by Isis Valéria at 9:09 PM |   

My Profile

Isis Valéria

Há mais de 30 anos trabalho como editora de livros. Fui responsável pelo lançamento de mais de 50 autores inéditos, hoje todos eles pessoas de sucessos de público e de mercado premiados no Brasil e em vários países na Europa, América do Norte, do Sul e Ásia (Japão, Corea do Sul,Tailandia) No México iniciei a exportação de livros brasileiros para o programa SEP – Livros Del Rincon. Desde 1992 é professora especializada em cursos de formação para a área de Editoração e Produção Editorial através da Biblioteca Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade do Estado de S. Paulo - Unesp e a Escola do Livro da Câmara Brasileira do Livro. Muitos de meus ex-alunos são hoje profissionais na área editorial. Atualmente sou Diretora da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ).
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